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HFF Perto de Si | Cancro do ovário: a doença silenciosa

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No passado dia 28 de maio celebrou-se em todo o mundo o Dia Internacional pela Saúde da Mulher. O Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (HFF) dá o seu contributo nesta rúbrica para a promoção da literacia da Saúde feminina, porque existem patologias exclusivas das mulheres que obrigam a uma vigilância atenta e a uma prevenção redobrada. É o caso do cancro do ovário.

Esta é a neoplasia do aparelho genital feminino com a maior taxa de mortalidade associada, atingindo sobretudo mulheres após a menopausa, com idade superior aos 55 anos. A efeméride é global e a doença também. O cancro de ovário é a sétima causa de morte feminina em todo o mundo.

Em Portugal, são diagnosticados todos os anos mais de 600 novos casos de cancro do ovário, e os números globais revelam que mais de metade de todos os casos deste tipo de cancro são diagnosticados quando a doença já se encontra num estádio avançado.

Segundo dados da Liga Portuguesa Contra o Cancro o cancro de ovário apresenta uma taxa de mortalidade de cerca de 70 por cento, sendo por isso necessário que continue a leitura deste texto para que esteja atenta aos sinais desta doença traiçoeira e dissimulada.

De facto, o cancro do ovário tem uma evolução silenciosa. É raro manifestarem-se sintomas na fase inicial da doença e quando tal acontece é geralmente com um quadro ligeiro e inespecífico, como dor ou desconforto abdominal.

Frequentemente associado ao cancro do ovário está o aumento do volume abdominal (“inchaço”), o desconforto ou dor na região pélvica, a falta de apetite, sensação de enfartamento após as refeições e, também, a perda de peso. Outros sintomas que podem ocorrer são o cansaço permanente, aumento da frequência urinária ou alteração do trânsito intestinal (diarreia ou obstipação).

Outro dos entraves à prevenção do cancro do ovário é que não existe um método de rastreio que se tenha demonstrado eficaz, ao contrário de outros cancros mais frequentes, como o cancro da mama ou o cancro colorretal. O facto de este cancro se manifestar frequentemente após a menopausa, altura em que as mulheres têm mais tendência a descurarem a sua saúde feminina e as idas regulares ao ginecologista, também potencia um diagnóstico mais tardio.

Há diversos fatores de risco associados ao cancro do ovário: a idade superior a 55 anos, a história reprodutiva da mulher, a predisposição genética e a epidemia da obesidade. A menstruação precoce, a menopausa tardia e a ausência de gravidezes aumentam o risco de desenvolver a doença. Também o uso de terapêutica de substituição hormonal com estrogénios após a menopausa, pode associar-se a um maior risco. A avaliação da história familiar é importante.

Perante a suspeita de cancro do ovário, o seu médico assistente irá pedir-lhe exames de imagem (ecografia, TAC, ressonância magnética) e análises de sangue que também englobam os marcadores tumorais. De acordo com os resultados e com o estadiamento da doença, serão discutidas as melhores opções terapêuticas adaptadas a cada caso. A cirurgia e a quimioterapia são as principais armas terapêuticas para o cancro do ovário.

A saúde da mulher deve ser celebrada e priorizada. Sabemos que as mulheres se preocupam mais em cuidar dos seus do que delas próprias. Mas, pelo menos uma vez por ano, é preciso realizar exames importantes, como a mamografia, o teste Papanicolau e análises de rotina. Mulheres saudáveis são o pilar de toda a sociedade.

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