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“HFF Perto de Si” | O estoma e o papel da enfermagem na capacitação dos doentes

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Nesta edição da rúbrica “HFF Perto de Si” vamos dar visibilidade a mais um tema que, por norma, ainda é tabu – o estoma, que é uma realidade para todos os doentes que foram submetidos a uma ostomia, ou seja, as pessoas a quem foi necessário realizar cirurgicamente a abertura de um orifício para desviar (quer seja temporária ou permanentemente) o trânsito normal de alimentação, ventilação ou eliminação.

O estoma e a ostomia são realidades pouco faladas, por pudor ou vergonha. Mas só porque não se fala deles, não significa que não sejam mais comuns do que se pensa.

São várias as doenças ou condições de saúde que podem levar à realização de um estoma, nomeadamente: cancros ou tumores no estômago (gastrostomia), colon e reto (ileostomia e colostomia), ou bexiga (urostomia). As doenças inflamatórias intestinais agudizadas também o podem motivar, tal como as doenças renais (nefrostomia), ou a infeção abdominal grave (peritonite). Por outro lado, pode ocorrer a necessidade de realizar estomas por traumatismos graves provocados por acidentes. Noutros casos são más formações congénitas que os motivam.

A procura para acompanhamento de doentes portadores de estoma é tanta que o Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (HFF) disponibiliza há já 12 anos uma consulta dedicada de Enfermagem de Estomaterapia. Esta é uma consulta de enfermagem diferenciada, que se realiza todos os dias na Consulta Externa, prestando apoio acompanhamento personalizado a estes doentes, nomeadamente ensinando-os a lidar com o estoma, a sua higiene e colocação, e a minimizar o seu impacto no dia a dia e na qualidade de vida.

A qualidade e vida e autoestima da pessoa ostomizada, resultantes do impacto físico e emocional que a ostomia impõe na sua vida e relações familiares e sociais, podem ser devastadores sem o devido acompanhamento e desmistificação. Essas implicações alastram-se à família, nomeadamente os cuidadores formais ou informais. Todos, sem exceção têm de ser capacitados e empoderados para viver com autonomia e sem as limitações que podem estar inicialmente associadas a uma ostomia.

Tendo como referência os últimos dois anos, a consulta de Estomaterapia do HFF apresenta uma média de cerca de 1000 consultas anuais (2021 com 1033 consultas e 2022 com 1079 consultas).

Estes são números particularmente expressivos, tendo em conta todos os constrangimentos que a Covid-19 provocou na atividade assistencial extra pandemia nos últimos três anos, nomeadamente na articulação e interação com os serviços do hospital e a comunidade, bem como com os cuidados de saúde primários.

A necessidade de crescimento desta consulta levou a que neste momento funcione todos dias úteis da semana, de segunda a sexta-feira. Existe igualmente um número de telemóvel direto para contacto dos utentes seguidos na consulta com a equipa de enfermagem de Estomaterapia.

Além da resposta que é prestada aos utentes em ambulatório, no âmbito da Consulta Externa, a Consulta de Enfermagem de Estomaterapia do HFF articula-se com todos os serviços do hospital através de referenciação interna, existindo um acompanhamento do utente desde a fase pré-operatória, passando pela alta hospitalar e pela inserção na vida na comunidade, sempre disponível para ultrapassar os desafios da ostomia e do estoma na vida dos doentes.

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