Dois plátanos centenários localizados ao longo da Estrada Nacional 247, entre a Quinta do Vinagre e a ponte de Galamares, estão a ser abatidos pela Infraestruturas de Portugal (IP) sem a necessária autorização do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), denuncia a Associação Finis Terrae numa publicação na sua página de Facebook.
Segundo a associação, o abate sistemático e continuado das árvores tem gerado forte contestação por parte da população local. Moradores e associados da Finis Terrae têm-se mobilizado no terreno com o objetivo de travar a continuidade dos cortes, no caso, um plátano, já alvo de uma intervenção severa e que foi rodeado por manifestantes para travar os cortes. No local foi montado um piquete para impedir a aproximação das equipas contratadas para proceder ao seu abate.
Com o objetivo de evitar a destruição definitiva da árvore, a Finis Terrae prevê entregar aos trabalhadores, esta segunda-feira, 5 de janeiro, um Embargo de Obra Nova Judicial. Trata-se de um procedimento cautelar de carácter urgente, já comunicado à GNR local, cuja ratificação será igualmente solicitada junto do Tribunal de Sintra.

Paralelamente, a associação tenciona avançar com um pedido de providência cautelar que abranja todos os plátanos ao longo da EN 247. Está também a ser preparado um requerimento dirigido à Câmara Municipal de Sintra para a classificação destas árvores, à semelhança do que já aconteceu com exemplares localizados junto à Adega Cooperativa de Colares.
A Finis Terrae anunciou ainda a intenção de apresentar queixas junto do Tribunal Europeu, alegando a violação do convénio da Rede Natura 2000 por parte do Estado português, bem como de instaurar novos processos em tribunais nacionais. A associação responsabiliza vários organismos públicos, como a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), o ICNF, a empresa Parque de Sintra – Monte da Lua (PSML), as autarquias locais e a GNR, por terem permitido, por alegada negligência dolosa, a destruição e urbanização do Parque Natural de Sintra-Cascais.
Em nota divulgada nas redes sociais, a associação sublinha a importância da cobertura mediática do caso, considerando-a essencial para alertar a população para o que descreve como um ataque rápido e intensivo ao património natural e paisagístico da região. “Só a mobilização da opinião pública poderá salvar o pouco que ainda resta do que outrora foi o Parque Natural Sintra-Cascais”, refere a Finis Terrae.
Imagens: Associação Finis Terrae









