Pela primeira vez, o robô cirúrgico do Hospital Fernando Fonseca (HFF), integrado na ULS Amadora/Sintra, foi utilizado numa intervenção de cirurgia bariátrica (obesidade). A operação realizou-se, dia 26 de janeiro, numa doente com obesidade e necessidade de correção cirúrgica.

A intervenção integra o plano alargado de utilização do robô cirúrgico do HFF, numa altura em que a cirurgia robótica tem vindo a assumir crescente relevância no tratamento cirúrgico da obesidade e da síndrome metabólica.

De acordo com Wilma Dias, cirurgiã responsável pela intervenção, “esta tecnologia inovadora acrescenta maior precisão, segurança e capacidade de tratar casos complexos e exigentes por via minimamente invasiva, com aplicação crescente na cirurgia bariátrica e metabólica.”

A médica acrescenta que a robótica em cirurgia é aplicada em “procedimentos de bypass gástrico e gastrectomia vertical (sleeve), que se tornam cada vez mais seguros e reprodutíveis, o que é importante numa área em constante crescimento como a cirurgia da obesidade e metabólica”.

Relativamente às vantagens, Wilma Dias sublinha que, na cirurgia metabólica, “o sistema robótico oferece visão tridimensional em alta definição e instrumentos com maior amplitude de movimentos do que a mão humana. Permite dissecções mais finas, suturas mais precisas e melhor controlo em áreas anatómicas difíceis, o que é particularmente útil em doentes obesos, onde o campo operatório é mais profundo e complexo”.

Estas vantagens traduzem-se em menor risco de complicações, como fugas anastomóticas, hemorragias e lesões de estruturas adjacentes.

O sistema robótico da Vinci Xi proporciona ainda excelência ergonómica ao cirurgião, refletindo-se em maior conforto e estabilidade durante a operação, reduzindo a fadiga e aumentando a consistência dos gestos ao longo de procedimentos longos, frequentes na cirurgia bariátrica. Este fator contribui indiretamente para melhores resultados.

A cirurgia robótica é atualmente utilizada em complemento às abordagens laparoscópicas convencionais, sobretudo em doentes com índice de massa corporal (IMC) elevado (45–50 kg/m²), em procedimentos revisionais, em doentes com múltiplas cirurgias abdominais prévias ou com anatomias alteradas, por se tratarem de intervenções mais complexas.

Sendo uma técnica minimamente invasiva, a cirurgia robótica oferece as mesmas vantagens da via laparoscópica: menos dor pós-operatória, menor tempo de internamento e retorno mais rápido às atividades, quando comparada com a cirurgia aberta.

O Hospital Fernando Fonseca é reconhecido pela Direção-Geral da Saúde (DGS) como Centro de Tratamento Cirúrgico da Obesidade desde 2009. Conta com uma equipa multidisciplinar que integra Cirurgia, Nutrição, Psiquiatria, Endocrinologia, Pneumologia, Medicina Interna, Anestesiologia, Medicina Física e de Reabilitação e Cirurgia Plástica e Reconstrutiva.

Os doentes seguem um programa pré-operatório estruturado, com consultas de avaliação, realização de exames complementares e decisão terapêutica cirúrgica. Entre os principais objetivos estão a preparação do doente antes da cirurgia, a promoção da perda de peso e a prática de exercício físico. No pós-operatório, os doentes mantêm acompanhamento em consultas multidisciplinares durante um período mínimo de três anos.

A boa relação entre o doente e a equipa é considerada essencial, baseando-se na adesão ao programa e no compromisso conjunto do centro e do HFF no tratamento da obesidade mórbida e da síndrome metabólica.

Com esta cirurgia, passam a ser quatro as especialidades que beneficiam da utilização do robô cirúrgico no HFF: Urologia, pioneira na instituição, Cirurgia Geral, Ginecologia e, agora, Cirurgia de Obesidade.