Esta sexta-feira, 13 de março assinala-se o Dia Mundial do Sono. O sono representa cerca de um terço da nossa vida. É uma função vital com um enorme impacto na saúde e bem-estar. No entanto, continua a ser uma área à qual não damos a devida importância.
Ana Sofia Oliveira, Coordenadora de Pneumologia e da Unidade do Sono do Hospital CUF Sintra, explica quais as perturbações do sono mais frequentes, os sinais a que devemos estar atentos e como é importante uma abordagem multidisciplinar no acompanhamento destas patologias.
Quais são as principais perturbações do sono e como condicionam a nossa saúde?
Ao afetar a qualidade do descanso, a patologia do sono tem implicações no normal funcionamento físico, mental e emocional. Falamos da insónia, das hipersónias (sonolência excessiva), da apneia obstrutiva do sono, da síndroma das pernas inquietas e das perturbações do ritmo circadiano. Há ainda patologias relacionadas com alterações do comportamento durante o sono – é o caso dos terrores nocturnos, do sonambulismo e dos distúrbios alimentares do sono.
O impacto das alterações do sono tem assumido uma importância crescente. A insónia – dificuldade em adormecer ou manter o sono – é a manifestação mais prevalente. Está associada ao stresscrónico, ansiedade e depressão, ao uso excessivo de tecnologia à noite, aos horários irregulares ou trabalho por turnos, ao consumo de estimulantes como cafeína e nicotina, ao álcool e ao sedentarismo.
Outra perturbação com elevada prevalência, mas subdiagnosticada, é a apneia do sono. Estima-se que cerca de 80% dos casos permaneçam por identificar. Este é um importante problema de saúde pública, sobretudo pelo aumento do risco cardiovascular e pela excessiva sonolência diurna que provoca. Está associada à obesidade, que favorece o colapso das vias aéreas, ao envelhecimento, ao sedentarismo, e ao consumo de álcool ou sedativos, que relaxam excessivamente a musculatura.
Quais os sinais que devem levar as pessoas a procurar ajuda especializada?
É importante recorrer a uma consulta especializada sempre que os problemas de sono começam a afetar a vida diária. Isso acontece quando existem dificuldades persistentes para adormecer ou manter o sono, despertares frequentes durante a noite, e sensação de cansaço, mesmo após várias horas de descanso. A sonolência excessiva durante o dia, a dificuldade de concentração ou alterações de humor significativas também são sinais de alerta.
No caso da apneia do sono, os principais sintomas são o conhecido ressonar (roncopatia), as paragens respiratórias durante o sono (apneias), a necessidade de urinar durante a noite, a sensação de asfixia noturna, o sono agitado, a sonolência diurna excessiva, o cansaço ao despertar, a dificuldade de concentração, o défice de memória e as perturbações sexuais.
Face às importantes repercussões destas patologias, o diagnóstico precoce torna-se especialmente importante.
Como são diagnosticadas as doenças do sono?
Uma cuidadosa história clínica é fundamental para uma correta interpretação dos sintomas. A informação dada pelo companheiro/a do dente pode ser relevante, já que muitas das alterações ocorrem sem que este se aperceba. Para complementar a avaliação, os estudos do sono permitem monitorizar, de forma objetiva, diversos parâmetros durante a noite. Estes exames ajudam a identificar distúrbios – o primeiro passo para o tratamento e seguimento das patologias do sono.
No que consistem os estudos do sono?
A polissonografia, ou estudo poligráfico do sono, é o exame de referência nesta área. Permite a avaliação da qualidade do sono e a identificação de patologias, monitorizando a atividade cerebral, respiratória, cardíaca, muscular e a posição corporal durante a noite. Está indicada para pessoas com suspeita de perturbações do sono e pode ser realizada em ambulatório, isto é, em casa, ou em ambiente hospitalar.
Além da polissonografia em ambulatório, recentemente, também passou a ser possível realizar este exame no Laboratório do Sono do Hospital CUF Sintra, permitindo uma avaliação aprofundada dos diversos parâmetros do sono. Neste exame, o doente permanece durante a noite no hospital, sob monitorização contínua e vigilância permanente por uma equipa técnica especializada.
Qual a importância de um acompanhamento multidisciplinar deste tipo de doenças, como acontece na Unidade do Sono do Hospital CUF Sintra?
A Medicina do Sono é uma área que exige uma abordagem multidisciplinar, porque dormir bem depende de vários sistemas do nosso corpo. Muitas doenças do sono não têm apenas uma causa e podem envolver problemas respiratórios, neurológicos, psicológicos ou alterações da estrutura das vias aéreas. Por isso, é fundamental que diferentes especialidades trabalhem em conjunto, como acontece na Unidade de Medicina do Sono do Hospital CUF Sintra, cuja equipa integra profissionais de Pneumologia, Otorrinolaringologia, Psiquiatria, Neurologia, Medicina Dentária e Pediatria, entre outras.

Como prevenir as perturbações do sono?
Segundo a especialista da CUF, para uma boa higiene do sono, “deve-se evitar, nas horas antes de dormir, consumir cafeína e álcool, fumar, praticar exercício físico intenso e fazer refeições pesadas. Também é importante: minimizar a luz, o ruído e as temperaturas extremas no quarto, além de manter horários regulares para acordar. Se houver despertares noturnos, deve-se evitar a exposição a luz intensa e adotar hábitos relaxantes, antes de dormir”.









