O presidente da Câmara Municipal de Sintra, Marco Almeida, aproveitou a sessão solene do Dia do Município, realizada esta segunda-feira, 29 de junho, no Jardim da Alameda de São Marcos, na União das Freguesias do Cacém e São Marcos, para traçar um retrato do trabalho desenvolvido nos primeiros oito meses de mandato e apresentar a visão do executivo para o futuro do concelho.

Perante autarcas, representantes de instituições e população, Marco Almeida centrou a sua intervenção na valorização da identidade sintrense, na proximidade à população e no compromisso com um concelho “mais forte, mais justo e preparado para o futuro”.

“Hoje celebramos o Dia do Município de Sintra, das suas comunidades, das suas famílias, de todos os que aqui vivem e de todos os que aqui constroem diariamente o seu caminho. Celebramos a nossa identidade, a nossa história e o património que herdámos das gerações que nos antecederam. Somos raízes de uma árvore centenária, mas também os jardineiros do futuro que queremos deixar aos nossos filhos.”

O autarca afirmou assumir a presidência da Câmara com “profundo orgulho, responsabilidade e dedicação”, defendendo que governar vai muito além da gestão administrativa. “Governar um concelho não é apenas ocupar um gabinete. É caminhar lado a lado com os sintrenses, ouvir as suas preocupações e transformar a esperança em ação.”

Balanço dos primeiros oito meses

Durante o discurso, Marco Almeida reconheceu as dificuldades encontradas no início do mandato, afirmando que recebeu um concelho marcado por problemas acumulados ao longo de vários anos. “Recebemos um concelho onde demasiados problemas foram empurrados para debaixo do tapete. Mas Sintra nunca foi terra de desistência. É terra de gente que resiste, como a serra resiste ao tempo”.

Segundo o presidente da Câmara, os primeiros meses de governação foram dedicados a iniciar mudanças estruturais. Entre as principais medidas destacou o lançamento do novo Plano Diretor Municipal (PDM), apontado como um instrumento fundamental para criar condições de desenvolvimento, fixar população jovem e aumentar a oferta de habitação. “Queremos abrir janelas onde durante demasiado tempo estiveram paredes. Queremos que os jovens encontrem portas abertas para viver, trabalhar e construir aqui o seu futuro.”

Marco Almeida destacou ainda o reforço dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento, que receberam um aumento de financiamento superior a 15 milhões de euros para reforçar a capacidade operacional.

Na área da segurança, salientou os investimentos destinados aos bombeiros, PSP, GNR e Polícia Municipal, considerando estas forças “um escudo silencioso que protege as famílias”.

Na vertente social, defendeu políticas orientadas para a igualdade de oportunidades e para a proteção dos mais vulneráveis. “Trabalhamos para que nenhuma criança veja os seus sonhos travados por falta de oportunidades e para que nenhum sénior sinta que foi deixado à margem da vida.”

Investimento em mobilidade, espaço público, património e ambiente

O presidente da Câmara destacou igualmente as intervenções previstas na mobilidade e no espaço público, considerando que a melhoria das acessibilidades é essencial para aproximar pessoas e criar novas oportunidades de desenvolvimento. Como exemplo, referiu o investimento de 1,8 milhões de euros destinado ao estudo da futura Circular Poente ao Cacém, uma obra estimada em cerca de 80 milhões de euros.

Também o património e a cultura foram apontados como prioridades da estratégia municipal. “Não olhamos para o passado como quem contempla um museu fechado. Olhamos para ele como uma bússola que nos orienta para o futuro.”

Na área ambiental, reforçou o compromisso da autarquia com a preservação do território. “Herdámos a natureza dos nossos pais, mas pedimo-la emprestada aos nossos filhos.”

Reconhecendo que muitos dos problemas existentes não podem ser resolvidos num curto espaço de tempo, Marco Almeida recorreu a uma metáfora para ilustrar a estratégia seguida pelo executivo. “Quem planta uma árvore sabe que não se sentará imediatamente à sua sombra”.

Um concelho sem centro nem periferia

O autarca justificou a realização das comemorações em São Marcos como parte de uma política de descentralização dos principais eventos municipais.

Recordou igualmente que outras iniciativas têm sido realizadas em diferentes freguesias, como a passagem de ano em Queluz, as comemorações do 25 de Abril em Massamá, as Marchas Populares em Agualva e na Vila de Sintra e o futuro Dia da Juventude em Casal de Câmara, no próximo fim de semana. “Acredito muito que Sintra não tem centro nem periferia quando falamos de respeito. Cada freguesia é um fio indispensável na tapeçaria que forma a identidade do concelho.”

Homenagem aos autarcas e instituições

A cerimónia ficou também marcada pela homenagem prestada a todos os presidentes de junta de freguesia eleitos até 2025, num gesto que Marco Almeida classificou como um reconhecimento devido ao trabalho desenvolvido ao longo das últimas décadas. “Reparamos uma falha, corrigimos um erro e respeitamos a democracia que se constrói pedra sobre pedra. Cada um de vós deixou uma marca neste edifício coletivo que é Sintra.”

O presidente dirigiu ainda uma palavra às instituições distinguidas e à reitora do ISCTE, Maria de Lurdes Rodrigues, garantindo que a instalação de novas salas de aula no concelho começará a concretizar-se já no próximo ano letivo.

Aproveitou igualmente para destacar a crescente diversidade populacional de Sintra. “Somos um concelho que ultrapassa já os 100 mil imigrantes, comunidades que aqui acolhemos, protegemos e que ambicionam construir o seu futuro.”

Agradecimento aos trabalhadores municipais

No final da sessão solene, Marco Almeida deixou uma palavra de reconhecimento aos trabalhadores do Município de Sintra, destacando o empenho demonstrado na organização das comemorações do Dia do Município e o trabalho diário desenvolvido em prol da população.

Concluiu reafirmando a ambição de construir “um concelho mais forte, mais justo e mais preparado para o futuro”, capaz de se afirmar como uma referência na Área Metropolitana de Lisboa e no país.

Fotografia: CMS / UF do Cacém e São Marcos