Um lar ilegal, composto por duas moradias, na localidade de Catribana, freguesia de São João das Lampas, no concelho de Sintra, mantém vários idosos amarrados a camas improvisadas, em condições degradantes, rodeados de fezes e com sinais evidentes de falta de cuidados de saúde.
A instituição chegou a acolher 15 utentes, que, segundo testemunhos recolhidos pelo programa A Prova dos Factos, da RTP, “muito raramente” eram encaminhados para o hospital.
O Ministério Público está a investigar alegados maus-tratos a idosos ocorridos nesta estrutura residencial. De acordo com as imagens divulgadas pelo programa da RTP, há utentes amarrados às camas pelos tornozelos e outros deitados em colchões sujos com fezes, indiciando negligência nos cuidados prestados.
A denúncia aponta ainda para o encaminhamento de doentes internados no Hospital Amadora-Sintra para este lar, apesar de a instituição não dispor de autorização legal para funcionar.

“Os familiares não fazem ideia do que se passa ali dentro. Ao fim de semana, a casa parece normal; os pais estão lá bem e tranquilos”, revelou uma antiga funcionária à RTP.
De acordo com o seu testemunho, os utentes dormem no chão, em salas e cozinhas, em camas de abrir e fechar. Alguns são amarrados pelos tornozelos durante toda a noite, desde as 17h00 até às 8h00, para impedir qualquer movimento. Abandonados e sem vigilância, os idosos fazem as necessidades nas próprias camas improvisadas, permanecendo horas rodeados de urina e fezes. Muitos apresentam ferimentos que não recebem cuidados adequados.
Em declarações ao Jornal de Notícias (JN), Cristina Fernandes, proprietária do lar, nega a existência de maus-tratos ou negligência, embora admita que a instituição funcione sem alvará. Recusa igualmente que o hospital encaminhe doentes para a estrutura sem a intervenção das respetivas famílias.

Junta de Freguesia manifesta “profunda preocupação”
Em comunicado, a Junta de Freguesia de São João das Lampas manifestou “profunda preocupação” face à reportagem transmitida pela RTP sobre a existência de lares ilegais em Catribana.
“Tal como foi tornado público, esta situação não era do conhecimento da Câmara Municipal, não tendo sido recebida qualquer denúncia prévia. A autarquia já se encontra em contacto com a unidade de saúde pública”, refere o comunicado.
A Junta sublinha ainda que “se trata de um tema que nos preocupa seriamente enquanto comunidade e enquanto responsáveis públicos, exigindo atenção e resposta por parte das entidades competentes”, acrescentando que “cuidar da nossa comunidade é não fechar os olhos, é estar atento, ser exigente e agir com responsabilidade”.
Noticia em atualização
Imagens: Frame de vídeo RTP









