Hospital Amadora-Sintra

Luís Duarte Costa, presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, demitiu-se no final de fevereiro do cargo de diretor do Serviço de Urgência Geral da Unidade Local de Saúde Amadora-Sintra. A informação foi avançada pelo próprio à agência Lusa esta terça-feira, 14 de abril.

A decisão surge na sequência da impossibilidade de implementar um plano destinado a reduzir o número de doentes internados no serviço de urgência do Hospital Fernando Fonseca, identificado como um dos principais fatores de pressão sobre aquela unidade.

Em declarações à Lusa, o médico explicou que a urgência enfrenta dificuldades persistentes na transferência de doentes para as enfermarias, o que contribui para a sobrelotação. Parte significativa do problema está associada aos chamados “casos sociais” – doentes que permanecem internados por razões não clínicas, apesar de já terem alta médica – e que representavam cerca de 25% dos internamentos.

Entre as soluções equacionadas estiveram a criação de respostas específicas para estes casos, incluindo a possibilidade de um hospital social, bem como a utilização das 60 camas do Hospital de Sintra. No entanto, segundo o médico, nenhuma destas medidas avançou. “Isso não se conseguiu fazer”, afirmou, apontando essa falha como uma das razões para a sua saída, após “10 meses de pressão”.

Após a demissão, a ULS Amadora-Sintra nomeou, a 9 de março, uma comissão de gestão do Serviço de Urgência, composta por oito médicos, que se manterá em funções até à designação de um novo diretor, segundo fonte oficial da instituição.

Questionado sobre a eventual falta de profissionais, Luís Duarte Costa considerou que o número de médicos na urgência seria suficiente se estivesse exclusivamente dedicado ao atendimento. No entanto, sublinhou que muitos acabam por ficar retidos no acompanhamento de doentes internados. “Esse é o drama”, afirmou, acrescentando que a situação se arrasta há três décadas, com profissionais a trabalhar sob forte pressão contínua.

De acordo com o especialista, este contexto tem contribuído para a saída de profissionais e dificulta a atração de novos médicos. Muitos acabam por abandonar o serviço ao constatarem a ausência de soluções estruturais, nomeadamente ao nível da disponibilidade de camas.

Luís Duarte Costa destacou ainda que o problema não é exclusivo do Amadora-Sintra, verificando-se na maioria dos hospitais com dificuldades na transferência de doentes e limitações na resposta dos cuidados de saúde primários.

O médico defendeu que uma parte significativa dos casos atendidos nas urgências poderia ser resolvida em poucos dias nos cuidados primários. Para o presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, a solução passa por reformas estruturais na organização do sistema de saúde.

“A solução não é pôr mais médicos na urgência. É tirar de lá os doentes”, concluiu.

Notícia Lusa com Sintra Notícias

Fotografia: Correio de Sintra
Fotografia com Médico Luís Costa: DR Just News
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