O artista Sepher inaugurou recentemente uma nova intervenção artística, desta vez no Parque da Quinta de Santa Teresinha, em Mem Martins.

Natural de Algueirão-Mem Martins, o artista afirma que o seu percurso começou na arte urbana, desenvolvendo os primeiros trabalhos durante a noite, sem autorização ou público. “Comecei a pintar de noite, enquanto a cidade dormia. Sem convite, sem autorização, sem público. Só o muro, tinta e o silêncio dos candeeiros que iluminavam as ruas da zona de amarelo”, refere.

Segundo Sepher, a sua abordagem artística é influenciada pelo contexto em que cresceu. “Cresci num sítio onde as ambições morrem cedo. Onde te ensinam a querer pouco, a esperar pouco, a ocupar pouco espaço. Venho de um mundo que me ensinou a resolver, a improvisar, a não pedir licença. Que me mostrou que a urgência é um material criativo”, explica.

O artista destaca ainda que a dimensão das suas obras procura dar visibilidade a histórias e experiências frequentemente pouco representadas. “Pinto em grande escala porque me recuso a aceitar que estas histórias sejam tratadas como pequenas. Cada peça carrega a voz de quem foi silenciado antes de abrir a boca, o miúdo que cresce a ouvir que arte é para outros, que sonhar grande é para outros”, afirma.

Sobre a mais recente intervenção, Sepher resume o significado do seu trabalho: “O meu trabalho é uma declaração de existência. E a única validação que importa é a do trabalho feito.”

O mural pode ser visitado no Parque da Quinta de Santa Teresinha, em Algueirão-Mem Martins.

Fotografia: Sepher