60 anos depois, Sintra recorda os 25 militares mortos no grande incêndio de 1966

Há 60 anos, um dos incêndios mais devastadores da história na Serra de Sintra consumiu cerca de 50 quilómetros quadrados de floresta e provocou a morte de 25 militares do então Regimento de Artilharia Antiaérea Fixa de Queluz (RAAF). Seis décadas depois, a tragédia continua a ser recordada com uma cerimónia de homenagem aos militares que perderam a vida no combate às chamas, no dia 6 de setembro de 1966 e que se manteve ativo até ao dia 12.

De acordo com os relatos publicados pela imprensa da época, as chamas terão começado na Quinta da Penha Longa, alastrando posteriormente à Quinta de Vale Flor, Lagoa Azul e aos Capuchos. Enquanto parte da população assistia ao avanço das chamas e ao rasto de destruição, bombeiros e militares combatiam o incêndio até à exaustão, recorrendo aos meios disponíveis e sem apoio de meios aéreos.

A violência do incêndio colocou também em risco alguns dos principais monumentos e espaços históricos da Serra de Sintra, entre os quais o Palácio de Seteais, o Palácio de Monserrate e o Parque da Pena.

Apesar das condições adversas e da falta de meios, nomeadamente de um sistema de telecomunicações adequado, bombeiros e militares conseguiram defender o património edificado e impedir que as chamas alastrassem ainda mais.

“Grande parte da serra de Sintra perdeu a sua beleza e viu-se convertida num horizonte negro, como a significar um manto de luto”, relatavam os jornais da época, numa descrição muito marcada e sentida, pela morte dos 25 militares, junto ao Alto do Monge, perto das minas de água, quando o incêndio atingiu a sua máxima intensidade.

Segundo o testemunho citado pelo blogue Fogo e História, um grupo de militares do RAAF, sem preparação adequada para o combate a incêndios, acabou cercado pelas chamas. A descoberta dos seus corpos carbonizados foi descrita como um momento “chocante” por quem testemunhou a tragédia.

O incêndio só viria a ser dado como extinto na manhã de 12 de setembro, por volta das 07h00, depois da queda de chuva. No total, foram consumidos cerca de 50 quilómetros quadrados de área.

Sessenta anos depois da tragédia, a memória dos 25 militares continua a ser assinalada anualmente.

Esta segunda-feira, 7 de setembro, realizou-se uma cerimónia evocativa dos 60 anos do incêndio, em homenagem aos militares do então Regimento de Artilharia Antiaérea Fixa, atualmente Regimento de Artilharia Antiaérea N.º 1 de Queluz, que perderam a vida no combate às chamas.

As cerimónias tiveram lugar com uma missa na Capela do Regimento, em Queluz, seguindo-se a deposição de uma coroa de flores no Pico do Monge e uma romagem ao local onde os militares foram encontrados.

O espaço é atualmente assinalado por 25 ciprestes, tendo sido depositadas 25 flores, uma por cada militar que perdeu a vida.

A evocação foi presidida pelo Diretor Honorário da Arma de Artilharia, Tenente-General Morgado Silveira, e contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Sintra, Marco Almeida, e do Bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança, D. Sérgio Dinis.

Estiveram ainda presentes antigos camaradas, amigos e pessoas que privaram com os militares, além de diversas entidades civis e militares.


Sessenta anos depois, permanece o compromisso de honrar e preservar a memória daqueles que deram a vida ao serviço dos outros, na defesa da população e na proteção da Serra de Sintra.

Informação: Diário de Notícias; Diário de Lisboa; Blogue Fogo & História
Fotografias: Exército Português