O PS de Sintra reagiu à aprovação da moção conjunta do PSD, Chega, Iniciativa Liberal e PAN que defende a realização de diligências junto do Governo para estudar a gestão do Hospital Fernando Fonseca e do Hospital de Proximidade de Sintra em regime de Parceria Público-Privada (PPP).
Carlos Vieira, presidente da Concelhia de Sintra do PS, considera que a proposta representa “o culminar de uma estratégia intencional de degradação do Serviço Nacional de Saúde (SNS)” e acusa a governação da AD de criar condições para justificar a privatização da saúde.
“Não pactuaremos com este frete ideológico que visa transformar os doentes em clientes e os hospitais públicos em fatias de negócio”, afirma o dirigente socialista.
Em comunicado, o PS recorda que o Hospital de Proximidade de Sintra foi construído com um investimento superior a 60 milhões de euros suportado pelo município e contesta a possibilidade de a sua gestão passar para privados.
“Entregar uma infraestrutura municipal desta dimensão, paga pelos sintrenses, à gestão privada de um consórcio é um insulto à população e um atentado ao princípio constitucional de uma saúde pública, universal e gratuita”, sustenta Carlos Vieira.
O presidente da concelhia socialista questiona ainda o atual funcionamento do Hospital de Sintra, defendendo que a unidade deveria estar a operar de acordo com a sua capacidade para ajudar a aliviar a pressão sobre o Hospital Fernando Fonseca, que serve as populações de Sintra e da Amadora.
“Não tem existido qualquer tipo de interesse em colocar o Hospital de Proximidade de Sintra a funcionar de acordo com as suas capacidades”, considerando que esta situação poderá estar relacionada com uma intenção de transferir posteriormente a gestão para privados.
O PS critica também a convergência entre PSD, Chega, IL e PAN nesta matéria, considerando que a moção evidencia uma aproximação política entre os partidos. Os socialistas dirigem ainda críticas à Iniciativa Liberal e ao PAN pela posição assumida.
(…) “Cabe-nos pugnar pelo melhor funcionamento possível do hospital e parece-nos que passa por uma eventual PPP” — Helena Coelho (PSD)

Apesar da oposição do PS, Livre e PCP, refere-se que, em dezembro de 2025, a Assembleia Municipal de Sintra aprovou uma recomendação para a câmara interceder junto do Governo para estudo da “transição da gestão” do Hospital Doutor Fernando Fonseca (Amadora-Sintra) e do Hospital de Sintra para “um regime” de Parceria Público-Privada (PPP).
O hospital Amadora-Sintra, nota-se, “continua a enfrentar, sem sinais de resolução, constrangimentos estruturais graves – sobrelotação, carência de recursos humanos, dificuldades na manutenção de equipamentos e insuficiência de investimento – que comprometem diariamente o acesso” a “cuidados de saúde dignos e atempados”.
Já o Hospital de Sintra, “continua longe de operar na totalidade das suas potencialidades, situação que só uma gestão mais eficiente e flexível – como a que pode ser assegurada por uma PPP – permitirá superar, sem prejuízo do caráter público e universal do SNS”.
A líder da bancada do PSD na assembleia municipal, Helena Coelho, contrapôs que “um insulto” aos sintrenses “é a maneira como o Hospital Fernando Fonseca está a funcionar”, desde que a PPP cessou, pois “goste-se ou não, são até agora a forma mais eficaz de gerir as unidades hospitalares do sistema nacional de saúde”.
“Enquanto bancadas, cabe-nos pugnar pelo melhor funcionamento possível do hospital e parece-nos que passa por uma eventual PPP”, reforçou a deputada municipal, recusando que se trate de uma moção da direita, “porque o PAN não é um partido da direita” e “também a subscreve”.
Recorde-se, o município de Sintra investiu cerca de 64 milhões de euros na construção do novo hospital, a funcionar apenas com urgência básica, em articulação com o Fernando Fonseca, e a administração central gastou 17 milhões em equipamentos e mobiliário.









