
O Teatromosca apresenta no próximo dia 27 de junho, às 21h30, na Praça Açores, junto a uma das entradas do Shopping Cacém, a programação do MUSCARIUM#12, a última edição do festival de artes performativas que, ao longo de mais de uma década, se afirmou como uma das iniciativas culturais mais singulares do concelho de Sintra.
O anúncio foi feito pela companhia sintrense através da sua página de Facebook. A apresentação da programação será antecedida, às 18h30, por um novo encontro do Fórum Comunitário TEIA. Após a divulgação do programa, o público poderá assistir, ao ar livre e com entrada gratuita, à projeção de dois clássicos de animação da Disney – Fantasia (1940) e A Bela e o Monstro (1991) – na fachada do Shopping Cacém.
Entre 4 e 20 de setembro de 2026, o MUSCARIUM realizará a sua derradeira edição neste formato, encerrando um ciclo marcado pela descentralização cultural, pela promoção da criação contemporânea, pela experimentação artística e pela ocupação de espaços inesperados do território sintrense. A organização define esta edição como um momento simultâneo de celebração, despedida e transformação.

Ao longo de 12 edições, o festival construiu uma identidade própria através da ocupação de jardins, adegas, quintais privados, comboios, palácios, telhados e edifícios devolutos, transformados em cenários para experiências artísticas que procuraram aproximar a criação contemporânea das comunidades locais e da paisagem cultural de Sintra.
Também a imagem gráfica criada por Alex Gozblau, tornou-se um dos símbolos mais reconhecidos do festival. A figura, simultaneamente poética e fantasmagórica, representava o caráter errante, mutável e surpreendente que marcou o percurso do MUSCARIUM.
Residências artísticas
Nesta última edição, o festival volta a apostar nas residências artísticas, nos laboratórios de criação e nos processos colaborativos. Entre os destaques está o ciclo de residências Atopémonos Bailando, desenvolvido em parceria com a companhia galega Colectivo Glovo, reforçando as ligações culturais entre Portugal e a Galiza. O projeto surge numa fase em que ambas as estruturas preparam a criação do espetáculo Umbral, em colaboração com a Orquestra Metropolitana de Lisboa, cuja estreia está prevista para 2028.
A programação inclui ainda uma bolsa e laboratório de criação destinados a artistas com deficiência e/ou surdos, desenvolvidos em parceria com o Festival Clarão, reforçando a aposta do festival na inclusão. Estão igualmente previstos laboratórios conduzidos pelo teatroàfaca, pelo criador Diogo Andrade, pela companhia Quorum Ballet, pelo artista plástico Onun Trigueiros e pelo koletivo Unidigrazz, no Palácio Nacional de Sintra.
No plano performativo, o MUSCARIUM#12 contará com espetáculos da companhia Terceira Pessoa, de Castelo Branco, e do Leirena Teatro, de Leiria, mantendo a diversidade de linguagens artísticas como uma das suas marcas distintivas.
A música assumirá igualmente um papel de destaque. No dia 5 de setembro, o Auditório Municipal António Silva (AMAS) recebe um concerto de Diego El Gavi, antecedido por uma conversa entre músicos de diferentes gerações da Linha de Sintra, com curadoria do koletivo Unidigrazz. Já a 19 de setembro, a antiga Cadeia da Comarca de Sintra, atual sede do Grupo 93 dos Escoteiros de Sintra, acolherá os concertos de Tape Junk & Pedro Branco e de RAY.
A abertura oficial do festival está marcada para 4 de setembro, às 21h00, no AMAS, com a inauguração de uma exposição de fotografia de cena de Tânia Cadima, realizada em parceria com a HIPÉRION Projeto Teatral. Segue-se a exibição do filme Entroncamento, de Pedro Cabeleira, considerado uma das obras mais relevantes do cinema português contemporâneo.
Encerramento no Largo Rainha D. Amélia
O encerramento decorrerá a 20 de setembro e manterá o caráter festivo e comunitário que sempre distinguiu o festival. O Largo Rainha D. Amélia, junto ao Palácio Nacional de Sintra, receberá espetáculos do Lama Teatro, da companhia galega Colectivo Glovo e do artista catalão Joan Català, com a apresentação de Pelat.
Nesse mesmo dia será inaugurada, na Sala dos Cisnes do Palácio Nacional de Sintra, uma exposição dos trabalhos de Onun Trigueiros, promovendo o diálogo entre património histórico e arte urbana contemporânea. A programação termina com um DJ set com curadoria do koletivo Unidigrazz e a partilha comunitária de uma “mega-cachupa”, gesto simbólico que pretende celebrar o espírito de encontro e convivência que caracterizou o MUSCARIUM desde a sua criação.
Apesar do fim deste modelo de festival, o Teatromosca garante que o projeto terá continuidade. Em setembro de 2027 nascerá um novo formato inteiramente dedicado à Dramaturgia Contemporânea para Públicos Jovens.
O MUSCARIUM’27 reunirá autores de diferentes nacionalidades em residências artísticas imersivas realizadas em espaços não convencionais, aproximando a criação dramatúrgica dos universos quotidianos de crianças e adolescentes. O novo projeto incluirá ainda conferências, encontros com artistas, leituras encenadas e espetáculos dirigidos ao público jovem.








