Há uma nova habitante ou, pelo menos, uma visitante, na Serra de Sintra. Uma lontra (Lutra lutra) foi recentemente captada pelas câmaras de fotoarmadilhagem instaladas no Parque da Pena, naquela que é a primeira confirmação da presença desta espécie no interior da serra em várias décadas, segundo a Parques de Sintra.

O registo foi obtido no âmbito do projeto de monitorização da fauna desenvolvido pela empresa, que utiliza câmaras de vigilância não intrusivas para acompanhar as espécies que habitam os parques e monumentos sob a sua gestão. A descoberta representa um importante contributo para o conhecimento da biodiversidade da região.

As câmaras instaladas no Parque da Pena e na Tapada do Mouco têm permitido, igualmente, observar a presença regular de outros mamíferos de hábitos noturnos, entre eles texugos, genetas e raposas, como mostram as imagens captadas pelas câmaras de fotoarmadilhagem.


Segundo João Sousa Rego, presidente do Conselho de Administração da Parques de Sintra, ainda é cedo para perceber se o animal “é apenas um indivíduo de passagem ou um residente“. No entanto, sublinha que, independentemente dessa resposta, “a sua presença constitui um importante indicador biológico da qualidade dos habitats existentes no Parque da Pena e da boa condição ecológica dos ecossistemas que integram a Paisagem Cultural e o Parque Natural de Sintra-Cascais”, refletindo os resultados do trabalho de conservação desenvolvido pela empresa.

O responsável adianta ainda que a biodiversidade e a resiliência climática continuam a ser prioridades estratégicas da Parques de Sintra. “Este ano vamos investir cinco milhões de euros nesta área, o dobro do valor aplicado no ano passado”, revelou, acrescentando que parte desse investimento será direcionado para investigação científica, essencial para aprofundar o conhecimento dos ecossistemas e apoiar futuras decisões de gestão.

Para a Parques de Sintra, esta deteção reforça a importância do trabalho de monitorização e conservação desenvolvido na Paisagem Cultural de Sintra, classificada como Património Mundial pela UNESCO.

A empresa considera que este registo evidencia o valor das medidas implementadas para proteger os ecossistemas e enquadra-se na estratégia definida para o período 2025-2027, que aposta no reforço da biodiversidade, da resiliência climática e da preservação do património natural.

Imagens: DR PSML