A história das mulheres na Polícia de Segurança Pública é marcada por uma evolução gradual rumo à igualdade. Quase um século depois da integração das primeiras dez agentes, em 1930, a presença feminina estende-se hoje a todas as áreas da instituição, incluindo unidades especiais e funções de comando, refletindo uma profunda mudança na PSP e na sociedade portuguesa.
Como dizia Heráclito (filósofo Grego) “nada existe de permanente a não ser a mudança” e foi na consciência da necessidade de uma alteração do paradigma, vivido até ao momento no seio da Polícia de Segurança Pública (PSP), que em 1930 integraram no efetivo desta força as primeiras dez mulheres.
Com funções mais restritas e de cariz pouco operacional exerceram, primordialmente no Comando de Lisboa, funções administrativas e de vigilância vocacionada para crianças e mulheres, conotando assim a sua atuação policial a uma vertente de assistência social.
Decorridos 50 anos do momento chave para a mudança na PSP, surge pela primeira vez na história de qualquer força de segurança em Portugal, em 1980, um concurso exclusivamente para mulheres no qual se candidataram 14 mil. Sujeitas a provas físicas e escritas foram admitidas 312 mulheres que concluíram com sucesso o curso de oito semanas administrado na Escola Prática da PSP, ficando posteriormente a exercer funções de vigilância, como até ao momento, e de trânsito.
“Em 1980, pela primeira vez em Portugal, uma força de segurança abriu um concurso exclusivamente para mulheres, que reuniu 14 mil candidatas”

Contudo e apesar de assistirem ao alargamento das suas funções policiais, as mulheres continuavam a ter a sua progressão na carreira limitada comparativamente aos demais polícias masculinos, situação esta que só fora dirimida em 1985 com a criação de um estatuto de igualdade entre todos os polícias, deixando assim de existir dois quadros policiais diferenciados pelo género.
Atualmente em dez polícias uma é mulher, assistimos ao ingresso de polícias (do sexo feminino) em subunidades da Unidade Especial de Polícia (UEP), como é o caso do Corpo de Segurança Pessoal (CSP) e Grupo Operacional Cinotécnico (GOC) e temos mulheres polícias a exercerem funções operacionais e de Comando por todo o território Português.
Em décadas de história testemunhamos o caminho percorrido pela igualdade da mulher na Polícia de Segurança Pública que se refletiu não só numa integração crescente de mulheres nesta Força Policial como também numa mudança de mentalidades na sociedade portuguesa.
Imagem: PSP / arquivo









