Perante os sinais de alerta, é fundamental agir rapidamente
As fraturas do colo do fémur são situações muito frequentes, sobretudo em pessoas de idade avançada. Se o tratamento não for célere, estes episódios podem ter consequências graves, com grande impacto na vida dos doentes.
Para garantir uma resposta ágil, o Hospital CUF Sintra criou a Via Verde Colo do Fémur: uma abordagem diferenciada que, ao permitir uma atuação multidisciplinar rápida, é determinante para a recuperação e manutenção da autonomia e da qualidade de vida.
Em entrevista ao Correio de Sintra, Ana Luísa Neto, ortopedista diferenciada na área da anca e bacia no Hospital CUF Sintra, alerta: após uma queda, reconhecer os sinais, procurar ajuda rapidamente e garantir um tratamento especializado é fundamental para uma recuperação segura e com melhores resultados.
O que é a fratura do colo do fémur e quais as consequências que pode trazer?
O colo do fémur é a parte do osso da coxa que liga a cabeça do fémur à restante estrutura do osso, fazendo parte da articulação da anca. Quando ocorre uma fratura nesta zona, a mobilidade da anca fica seriamente afetada e, na maioria dos casos, a pessoa deixa mesmo de conseguir andar. Estima-se que em Portugal ocorram cerca de 10 mil fraturas do colo do fémur por ano, tornando esta lesão um dos desafios mais importantes na Saúde.
Com o avançar da idade, os ossos tornam-se mais frágeis, sobretudo devido à osteoporose. Ao mesmo tempo, aumentam os problemas de equilíbrio, visão e fraqueza muscular, o que aumenta a probabilidade de quedas. A maioria dos casos ocorre em mulheres, sobretudo por terem um risco mais elevado de osteoporose.
As fraturas do colo do fémur acontecem, habitualmente, após uma queda aparentemente simples, em casa. Por exemplo, ao tropeçar num tapete, ao levantar-se rapidamente, ao perder o equilíbrio, ou simplesmente devido a um movimento de rotação da perna.
Quais os sintomas e como é feito o diagnóstico?
O sintoma mais comum é uma dor intensa na anca, virilha ou coxa. Pode ainda surgir dificuldade, ou mesmo incapacidade, em caminhar e mobilizar o membro. É frequente a perna afetada surgir mais encurtada e rodada. Perante estes sintomas após uma queda, é importante procurar assistência médica de imediato. O diagnóstico será feito após realização de raio-X da anca.
Qual o melhor tratamento?
Na grande maioria das situações o tratamento é cirúrgico, devendo ser realizado por uma equipa experiente e especializada. A cirurgia pode servir para alinhar a fratura e estabilizar o osso (com placas, parafusos e/ou cavilhas) ou para substituir a articulação da anca por uma prótese. O mais importante é controlar a dor e permitir que o doente volte a mexer-se o mais cedo possível. Isto porque quando a pessoa fica muito tempo na cama, aumenta o risco de complicações graves, e potencialmente fatais.
Hoje, sabe-se que operar nas primeiras 24 a 48 horas ajuda a diminuir muito este risco, bem como a mortalidade associada a estas fraturas. Além disso, melhora significativamente a recuperação.
O que é a Via Verde Colo do Fémur, agora disponível no Hospital CUF Sintra?
A Via Verde é um circuito hospitalar organizado para garantir que os doentes com fratura do colo do fémur recebem diagnóstico e tratamento rápidos e especializados. O objetivo é simples: reduzir o tempo até ao diagnóstico e à cirurgia, controlar rapidamente a dor e iniciar a recuperação o mais cedo possível. Este modelo permite que os doentes com suspeita de fratura do colo do fémur sejam avaliados e tratados de forma prioritária, por uma equipa multidisciplinar especializada, envolvendo profissionais de Ortopedia diferenciados no tratamento da anca, Anestesiologia, Medicina Interna, Enfermagem e de Medicina Física e Reabilitação.
Esta abordagem permite diminuir o risco de complicações, reduzir o tempo de internamento e melhorar a recuperação e a qualidade de vida dos doentes.
Quanto mais cedo iniciar a reabilitação,
melhores serão os resultados

Após a cirurgia, a reabilitação tem um papel fundamental. “Quanto mais cedo começar, melhores tendem a ser os resultados funcionais e menor o risco de dependência permanente”, garante Afonso Pegado, Coordenador de Medicina Física e Reabilitação no Hospital CUF Sintra. “A Medicina Física e Reabilitação deve entrar em ação, idealmente, ainda durante o internamento hospitalar, nas primeiras 24 a 48 horas após a cirurgia, se o estado clínico o permitir”, concretiza.
A intervenção precoce desta equipa permite, segundo Afonso Pegado, “reduzir o tempo de imobilização; diminuir complicações associadas ao internamento prolongado; preservar a força muscular e a capacidade funcional; acelerar a recuperação da marcha e da autonomia; reduzir o risco de dependência e institucionalização; e melhorar o prognóstico global e a qualidade de vida do doente”.
Por tudo isto, a Via Verde Colo do Fémur torna-se especialmente relevante. A articulação entre a Medicina Física e Reabilitação e as restantes especialidades, no âmbito desta resposta, é feita, explica o médico “através de uma abordagem multidisciplinar e integrada, centrada no doente, e assente no contacto direto entre equipas, desde o momento da admissão hospitalar até à recuperação funcional”.









