Aralab sediada em Rio de Mouro, leva o nome de Sintra ao mundo e conquista Prémio Heróis PME

Há mais de quatro décadas que a Aralab constrói a partir de Rio de Mouro (Sintra), um percurso de inovação e crescimento que a transformou numa referência internacional na área das câmaras climáticas.

O reconhecimento desse trajeto chegou recentemente com a distinção de Média Empresa na 8.ª edição dos Prémios Heróis PME, um galardão que reforça o papel da empresa no tecido económico nacional e evidencia a capacidade das empresas sintrenses para competir à escala global.

Fundada em 1985 como uma pequena empresa dedicada à assistência técnica a equipamentos de laboratório, a Aralab emprega atualmente mais de 120 colaboradores, exporta para cerca de 80 países e obtém mais de 80% da sua faturação nos mercados internacionais, disse ao Correio de Sintra, Luís Branco, CEO da empresa.

(…) “É o equilíbrio entre solidez financeira, produção local nos mercados-chave e presença internacional que nos permite continuar a crescer a partir de Sintra, sem perder o ADN de empresa familiar de média dimensão” — Luís Branco

LUÍS BRANCO (LB): Este prémio tem um significado muito especial para todos os que fazem parte da Aralab. Representa o reconhecimento de um percurso de mais de quatro décadas, desde a fundação da empresa, em 1985, quando era uma microempresa dedicada à assistência técnica de equipamentos de laboratório, até à realidade atual: uma média empresa com capacidade própria de produção de equipamentos de elevada tecnologia, forte aposta na investigação e desenvolvimento, mais de 120 colaboradores, presença nos cinco continentes e uma taxa de exportação superior a 80% do volume de negócios.

Esta distinção pertence a todos os que contribuíram para esta trajetória e sem os quais não teríamos chegado onde estamos hoje. É um reconhecimento que nos enche de orgulho pelo trabalho desenvolvido ao longo dos últimos 40 anos e que reforça a nossa ambição de continuar a crescer, levando o nome de Sintra e de Portugal cada vez mais longe.

LB: Este percurso resulta de um conjunto de decisões estratégicas tomadas ao longo dos anos, sempre a partir das nossas instalações em Rio de Mouro.

A primeira foi a aposta na inovação e na diferenciação. Procurámos afirmar-nos não apenas como fornecedores de equipamentos, mas como parceiros capazes de responder aos desafios mais exigentes dos nossos clientes.

Mais tarde surgiu a decisão de internacionalizar o negócio. Num período particularmente desafiante para Portugal e para a economia mundial, no final da primeira década deste século, identificámos os mercados externos como um dos principais motores de crescimento. Apostámos numa rede internacional de distribuidores, atualmente presente em cerca de 80 países, responsável pela promoção da marca e pelo desenvolvimento de negócio nesses mercados.

Hoje, a Aralab fatura cerca de 20 milhões de euros por ano, sendo que mais de 80% desse valor resulta da atividade internacional. Nos últimos anos tomámos ainda duas decisões estratégicas fundamentais para assegurar a continuidade do crescimento.

A primeira foi integrar a segunda geração da família fundadora na gestão da empresa, trazendo novas perspetivas e reforçando a visão de longo prazo, tornando a Aralab ainda mais global, profissional e preparada para o futuro. A segunda passou pelo investimento direto no estrangeiro. Já iniciámos uma operação produtiva na Índia e está definida, na nossa estratégia, a criação de estruturas comerciais próprias em mercados internacionais considerados prioritários.

É este equilíbrio entre solidez financeira, produção local nos mercados-chave e presença internacional que nos permite continuar a crescer a partir de Sintra, sem perder o ADN de empresa familiar de média dimensão.

LB: Trabalhar com clientes tão exigentes como empresas da indústria farmacêutica, centros de investigação ou organizações ligadas aos setores da defesa, aeronáutica e automóvel obriga-nos a manter elevados padrões de exigência técnica e uma grande capacidade de adaptação. Essa exigência acabou por se transformar numa das nossas maiores vantagens competitivas.

A partir de Sintra fornecemos equipamentos a algumas das maiores multinacionais da indústria farmacêutica, mas também a empresas farmacêuticas de referência instaladas no nosso concelho.

As câmaras climáticas que desenvolvemos são igualmente utilizadas, direta ou indiretamente, por algumas das maiores marcas mundiais da indústria automóvel, como a Volkswagen, BMW, Audi, Tesla, Jaguar ou o Grupo PSA. Nos setores da aeronáutica, aeroespacial e da defesa contamos ainda entre os nossos clientes empresas como a Tekever, TAP, Airbus e Thales, entre outras.

Na área da biotecnologia colaboramos igualmente com alguns dos mais importantes centros de investigação do mundo, localizados nos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França e Espanha.

Trabalhar com clientes desta dimensão reforça naturalmente a projeção internacional da Aralab. No entanto, o verdadeiro fator diferenciador continua a ser a nossa capacidade de inovar, desenvolver soluções à medida e envolver uma equipa altamente qualificada nos projetos mais exigentes. Foi isso que aconteceu, por exemplo, quando fomos desafiados a desenvolver um equipamento destinado a testar componentes de satélites, um projeto que contribuiu para consolidar a Aralab como uma referência internacional na área da simulação climática.

(…) “A Aralab fatura cerca de 20 milhões de euros por ano, sendo que mais de 80% desse valor resulta da atividade internacional” — Luís Branco

LUÍS BRANCO (LB): É um enorme motivo de orgulho para toda a equipa. As nossas câmaras climáticas são utilizadas em centros de investigação ligados à NASA e testam a resistência dos drones da Tekever em condições climáticas extremas. Desenvolvemos também equipamentos para ensaiar componentes destinados a satélites da Agência Espacial Europeia.

Para uma empresa nascida em Sintra, saber que o trabalho desenvolvido pelos nossos engenheiros é utilizado por empresas como a Apple, que recorre às nossas câmaras climáticas de menor dimensão para testar a resistência dos seus equipamentos eletrónicos, ou pela Louis Vuitton, é a confirmação da qualidade do nosso know-how e da exigência técnica que sempre caracterizou a Aralab. É esse rigor que nos permite competir ao mais alto nível nos mercados internacionais.

LB: Com mais de 120 colaboradores, a Aralab aumentou o número de trabalhadores em mais de 40% nos últimos cinco anos. Este crescimento levou-nos a criar uma área dedicada de Pessoas e Cultura, com a missão de transformar o conhecimento acumulado pelos nossos especialistas — o maior ativo de uma empresa de nicho como a nossa — em conhecimento estruturado e transmissível às novas gerações.

Esta visão esteve também na base da integração da segunda geração da família fundadora na gestão da empresa, assegurando a continuidade do conhecimento, do centro de decisão e do investimento em Portugal, mais concretamente em Sintra.

Sendo o único fabricante português de câmaras climáticas, a Aralab contribui para fixar no concelho um conhecimento técnico altamente especializado, difícil de replicar noutras geografias. Ao mesmo tempo, impulsiona uma rede de fornecedores locais das áreas elétrica, eletrónica, metalomecânica e de outros setores, gerando valor para a economia regional.

“Queremos atrair parceiros, empresas complementares e profissionais altamente qualificados, contribuindo para afirmar Sintra como um território cada vez mais competitivo e atrativo para indústrias de elevado valor acrescentado” — Luís Branco

LB: Sintra é a casa da Aralab há mais de três décadas e continua a reunir as condições para sustentarmos o nosso crescimento.

Estamos atualmente a investir num novo espaço que permitirá duplicar a área produtiva, reforçar o foco no nosso core business e criar condições para o desenvolvimento de um verdadeiro cluster industrial. Queremos atrair parceiros, empresas complementares e profissionais altamente qualificados, contribuindo para afirmar Sintra como um território cada vez mais competitivo e atrativo para indústrias de elevado valor acrescentado.

Importa também reconhecer que, ao longo dos anos, a Câmara Municipal de Sintra e outras entidades públicas têm criado condições favoráveis ao crescimento das pequenas e médias empresas. Esse trabalho tem sido importante para reforçar a competitividade das empresas instaladas no concelho e consolidar Sintra como um polo industrial e tecnológico.

LB: Este tipo de reconhecimento tem um valor muito concreto, que vai muito além da dimensão simbólica.

Sabemos, por experiência própria, que a notoriedade de uma marca não resulta apenas da excelência técnica; constrói-se ao longo do tempo, mercado a mercado. Nos Estados Unidos, por exemplo, onde estamos a dar os primeiros passos, sentimos bem essa realidade. Somos amplamente reconhecidos na Europa e líderes em alguns segmentos de mercado, mas, do outro lado do Atlântico, ainda estamos a construir essa reputação, o que exige tempo e investimento.

É precisamente neste contexto que prémios como os Heróis PME fazem a diferença. Conferem visibilidade e credibilidade imediatas a empresas que já competem ao mais alto nível.

Junto dos clientes internacionais mais exigentes, este reconhecimento reforça a confiança numa empresa portuguesa que responde aos mais elevados padrões de qualidade. Na atração de talento, demonstra que é possível desenvolver uma carreira altamente especializada, com dimensão internacional, a partir de uma PME sediada fora dos grandes centros urbanos. E, para outros empresários portugueses, é a prova de que a internacionalização não depende da dimensão da empresa, mas da capacidade de inovar, de se especializar e de persistir.

(…) “A dimensão de uma empresa não determina a sua ambição. Com conhecimento, visão estratégica e capacidade de adaptação, é possível criar, a partir de Portugal, projetos tecnológicos e industriais capazes de competir em qualquer mercado do mundo” — Luís Branco

LUÍS BRANCO (LB): A história da Aralab deixa, acima de tudo, duas grandes lições. A primeira é que os momentos de maior dificuldade podem transformar-se em oportunidades de crescimento. Foi precisamente a crise financeira de 2008-2010 que nos levou a acelerar o processo de internacionalização, uma decisão que acabou por mudar o rumo da empresa e abrir novos mercados.

A segunda prende-se com a importância da continuidade e da identidade. Ao longo dos anos recebemos várias propostas de grupos internacionais interessados em adquirir a Aralab, mas optámos sempre por manter a empresa independente. O nosso objetivo foi, desde o início, garantir a continuidade do projeto e preservar o centro de decisão em Portugal.

Quando chegou o momento de preparar a sucessão, escolhemos investir na integração da segunda geração da família fundadora, assegurando um equilíbrio entre continuidade e renovação. Essa decisão permitiu-nos preservar os valores que sempre nos orientaram, ao mesmo tempo que trouxemos novas competências e uma visão mais global para o futuro.

LB: A mensagem que deixo aos empresários é simples: não tenham receio de profissionalizar a gestão à medida que as empresas crescem. É possível evoluir de um modelo familiar para uma organização mais estruturada, sem perder a identidade nem os valores que tornam cada empresa única.

Acima de tudo, apostem na especialização, na inovação e na persistência. Foi essa combinação que permitiu à Aralab afirmar-se nos mercados internacionais e competir com empresas de referência mundial. A dimensão de uma empresa não determina a sua ambição. Com conhecimento, visão estratégica e capacidade de adaptação, é possível criar, a partir de Portugal, projetos tecnológicos e industriais capazes de competir em qualquer mercado do mundo.