Periferias celebra 15ª edição com reflexão sobre arte, território e natureza

O Periferias – Festival Internacional de Artes Performativas, organizado pelo Chão de Oliva – Centro de Difusão Cultural, retorna para a sua 15.ª edição entre 5 e 15 de março, em diversos espaços do concelho de Sintra. Sob o tema “EcoGeografias”, o evento propõe uma reflexão sobre a relação entre arte, território e natureza, num contexto marcado pelo aumento de fenómenos associados às alterações climáticas.

Destinada a todas as idades, com especial atenção ao público jovem, a programação inclui teatro, dança, marionetas, performance, música, cinema, formação, uma feira do livro de artes performativas e uma exposição.

Ao longo de onze dias, a edição atual estabelece um diálogo com ciclos de criação anteriores do Chão de Oliva, aprofundando novas questões. Os codirectores artísticos, Susana C. Gaspar, Paula Pedregal e Nuno Correia Pinto, explicam que o tema “EcoGeografias” propõe “um estudo da terra enquanto espaço físico, político e simbólico, onde a arte e a natureza se cruzam e se interrogam mutuamente”.

O festival assinala ainda o encerramento de um ciclo dedicado às questões de género, reforçando a importância de criar espaços de reflexão crítica e inclusão. Este percurso foi integrado numa visão mais ampla do território, em que as dimensões ambiental, social e humana se apresentam como indissociáveis.

Programa:

O festival inicia-se no dia 5 de março com o teatro de marionetas O Menino Eterno, da companhia Fio d’Azeite – Marionetas do Chão de Oliva, a partir do texto de José Jorge Letria, dirigido ao público escolar, no Pequeno Auditório do Centro Cultural Olga Cadaval, às 11h.

Já a abertura oficial está marcada para as 17h, no Mu.Sa – Museu de Artes de Sintra, com a inauguração da exposição “Uma Borboleta nos Escombros”, que aborda a tragédia que levou à perda de parte do espólio do Chão de Oliva, no ano passado, assim como os incêndios florestais que, todos os anos, comprometem a biodiversidade do país e do planeta. À noite, pelas 21h30, a Sociedade União Sintrense acolhe a tragicomédia musical Missão Ambiental Ultra-Fadista, de Miguel Mendes. 

No segundo dia, 6 de março, inaugura-se a Feira do Livro de Artes Performativas, única em Portugal, na Biblioteca Municipal de Sintra, com leituras encenadas do projeto “Climate Change Theatre Action”, pelas 18h. Mais tarde, às 21h30, apresenta-se no palco da Casa de Teatro de Sintra a peça O Erro de GPTO, ou as Mentiras de Pi, criação do Teatro Estúdio Fontenova, companhia setubalense.

Durante o fim de semana, destacam-se os espetáculos Spectrum, uma alegoria moderna da caverna de Platão, da ASTA, companhia de teatro da Covilhã, com encenação de Rui Pires, também na Casa de Teatro de Sintra, dia 7, às 21h30;  La Boda de La Pulga y El Piojo, do Teatro La Gotera de Lazotea (Espanha), dia 8, às 11h, na Casa de Teatro de Sintra; Mil e Uma, uma peça pensada para todas as idades, da Caricata Teatro, dia 8, às 16h30, no Auditório Paroquial de Rio de Mouro; e ainda no dia 8, a exibição do filme O Abraço da Serpente, do realizador colombiano Ciro Guerra, com curadoria do CCS – Cineclube de Sintra, às 21h, na Casa de Teatro de Sintra. 

Entre 9 e 11 de março decorre o laboratório “O que farias no teu último minuto?”, orientado pela dramaturga, encenadora e atriz Marlene Barreto. Destinada a participantes com interesse nas artes performativas, esta formação culmina numa apresentação do resultado ao público, na Casa de Teatro de Sintra.

A 12 de março, a mesma sala recebe, às 21h30, Grou Cru – uma Primavera Silenciosa, de Cristina Benedita, um espetáculo de dança sobre a extinção de aves, inspirado no livro Primavera Silenciosa, de Rachel Carson. No dia 11 de março, a Companhia de Teatro de Sintra – Chão de Oliva apresenta Raizame, teatro documental sobre alterações climáticas, em parceria com o Gabinete de Sustentabilidade Ambiental e Transição Energética da Câmara Municipal de Sintra. 

No último fim de semana do festival, a companhia Propositário Azul (Lisboa) interpreta Lilith, com encenação de Nuno Nunes, no dia 13, às 21h30, no Multiusos de Belas. No dia seguinte, a companhia Leirena (Leiria) encena A Maior Flor do Mundo, a partir da obra de José Saramago, no Centro Cultural Olga Cadaval, às 16h, e a Mákina de Cena (Loulé), apresenta O Meu Pé de Laranja Lima, às 18h30, na Sociedade Filarmónica Boa União Montelavarense.

O espetáculo Amadeo(s), do Teatro Art’Imagem (Maia), que também se dirige a miúdos e graúdos, baseado no universo pictórico de Amadeo de Souza-Cardoso, encerra a edição deste ano, em Casal de Cambra. 

A agenda conta, ainda, com a animação de rua “O Guarda-Pedais”, da d’Orfeu (Águeda), que percorrerá ruas de Sintra no dia 6 de março; o lançamento da nova edição do Jornal Coreia, da Associação Parasita, acompanhado por uma performance da artista Sepideh Khodarahmi, também no dia 7, às 18h, entre outras propostas. 

Toda a informação detalhada está disponível no website do Chão de Oliva. As reservas podem ser efetuadas através da Ticketline ou junto da bilheteira do Chão de Oliva. Existem espetáculos e eventos com entrada livre e, nos espetáculos com bilheteira, o custo é de 5€ por cada bilhete.