A atleta Rita Azinheira sagrou-se, em outubro de 2025, campeã do mundo no escalão de juniores, em Pequim, alcançando um feito inédito que motivou a produção de um documentário, realizado por Tomás Teixeira da Fonseca. A conquista histórica da jovem patinadora, representante da Sociedade Recreativa da Várzea de Sintra, não passou despercebida, ganhando destaque a nível nacional e reforçou a visibilidade da modalidade em Portugal.
Em entrevista ao CORREIO DE SINTRA, o realizador do documentário revelou que a proximidade ao contexto desportivo da atleta esteve na origem do projeto. A sua irmã treina no mesmo clube que Rita Azinheira, facto que facilitou a criação de uma relação de amizade com o treinador Sebastião Oliveira, que sugerir a realização do filme.
Inspirado por este percurso, Tomás Teixeira da Fonseca decidiu desenvolver um documentário sobre a atleta, no âmbito da unidade curricular de Documentário da Licenciatura em Cinema e Artes dos Media, na Universidade Lusófona, onde frequenta o último ano.

(…) “Nem consigo acreditar que sou campeã do mundo. É tão fácil dizer, mas sou realmente campeã do mundo”, — Rita Azinheira
O documentário opta por destacar o esforço diário e a disciplina da atleta, uma decisão que resultou também de limitações práticas. A competição decorreu na China, o que impossibilitou o acesso aos direitos de utilização das imagens oficiais da prova.
Como alternativa, Tomás Teixeira da Fonseca, recorreu a imagens captadas por si numa exibição realizada pela atleta no clube após a vitória. Ainda assim, considera que essa abordagem reforça a mensagem central do filme: a importância do trabalho árduo e da consistência na concretização de objetivos.


(…) Nenhum feito é fruto do acaso e este documentário demonstra o empenho a dedicação a resiliência e todo o compromisso necessário para atingir grandes resultados” — Tomás Teixeira da Fonseca
Correio de Sintra (S): O que o motivou a realizar um documentário sobre o percurso desportivo da atleta Rita Azinheira?
Tomás Teixeira da Fonseca (TTF): A minha irmã treina no mesmo clube que a Rita, o que me levou a desenvolver uma relação de amizade com o treinador Sebastião Oliveira, bem como a realizar alguns trabalhos de fotografia e vídeo para a SRVS.
O documentário foi produzido como um trabalho para a faculdade, na cadeira de Documentário, da Licenciatura em Cinema e Artes dos Media, na Universidade Lusófona, do qual sou estudante finalista. Recebemos o enunciado do trabalho na altura em que a vitória se deu e até foi o treinador, que me disse meio a brincar meio a sério que eu devia fazer um documentário sobre o acontecimento. Com esta ideia em mente, falei com as minhas colegas de grupo que gostaram e apoiaram o tema proposto.
CS: Por que razão considera que o percurso da atleta merecia ser retratado em formato documental?
TTF: Acredito que um feito tão grandioso como ser Campeão do Mundo, independentemente da modalidade, deve ser reconhecido e divulgado. Para se alcançar tal feito, mais do que o resultado final, acredito que é importante registar o trabalho desenvolvido para lá chegar. Nenhum feito é fruto do acaso e este documentário demonstra o empenho a dedicação a resiliência e todo o compromisso necessário para atingir grandes resultados.
CS: O documentário destaca sobretudo o trabalho e a disciplina diária da atleta para alcançar resultados de alto nível. Porquê esta escolha de enfoque?
TTF: Uma vez que a competição decorreu na China, não consegui ter acesso aos direitos para utilizar o vídeo oficial da prova no filme, por isso tive de optar por outro caminho e utilizar uma filmagem gravada por mim numa exibição feita pela Rita no clube após a vitória.
No entanto, orgulho-me do caminho que segui na construção do filme e da mensagem que o mesmo transmite. Uma mensagem de que é através do trabalho árduo e disciplinado que conseguimos atingir os nossos objetivos.
CS: Que mensagem principal pretende que o documentário transmita ao público, em especial aos jovens atletas?
TTF: O que quero transmitir com este documentário é uma mensagem de que “é possível”. O que não se aplica só a jovens atletas, mas a qualquer pessoa com ambição e objetivos a cumprir. É possível alcançar grandes feitos e os nossos objetivos, mas para isso temos de trabalhar bastante nesse sentido. Mas não é só esse o objetivo que quero que o documentário tenha.
Gostava também que o filme ajudasse a divulgar o desporto que é a Patinagem Artística, um desporto pouco reconhecido e divulgado em Portugal, ainda que o nosso país forneça grandes talentos Europeus e Mundiais na modalidade.
(…) “Orgulho-me do caminho que segui na construção do filme e da mensagem que o mesmo transmite” — Tomás Teixeira da Fonseca
CS: Que papel pode a comunicação social desempenhar na divulgação de histórias como a da Rita Azinheira?
TTF: Diria que a Comunicação Social, tem um papel fundamental na divulgação de histórias tão ou mais impactantes como a retratada no documentário, pois são o maior motor de promoção de notícias tanto a nível Nacional como Internacional.
Por se tratar de uma vitória de uma atleta nacional, alcançada internacionalmente, faz todo o sentido que a Comunicação Social divulgue este feito incrível.

Informações adicionais
O filme “Rita” encontra-se em circuito de festivais, pelo que ainda não está disponível publicamente. Após este circuito, planeio lançar o filme na plataforma Kinoora, uma plataforma lançada muito recentemente, destinada a distribuir filmes de cineastas independentes.
Atualmente Tomás Teixeira da Fonseca está a produzir mais dois projetos: uma curta-metragem sobre dança, na qual desempenha a função de produtor (Projeto final de licenciatura) e uma longa-metragem independente não académica, intitulada “Polly Paradise”, realizada por Gonçalo Cunha que o convidou para ocupar o cargo de Produtor do Projeto.
O realizador planeia lançar o filme na plataforma Kinoora, lançada recentemente e destinada à distribuição de filmes de cineastas independentes. Por agora, o realizador convida os interessados a oportunidade de ver o documentário a deixar uma opinião nos sites IMDB e/ou Letterboxd.
Notícia também disponível na edição desta semana
do Jornal Correio de Sintra









