Atleta Simão Gomes, impedido de participar em competições internacionais de jiu-jitsu, devido às regras da modalidade

O jovem atleta Simão Gomes, residente em Queluz, no concelho de Sintra, está impedido de participar em competições internacionais de jiu-jitsu devido às regras da modalidade, que não permitem a utilização com óculos adaptados durante os combates.

Diagnosticado há cerca de dois anos com uma miopia galopante, Simão viu a sua continuidade na prática desportiva ser colocada em causa logo após os primeiros exames médicos. O jovem atleta divide a sua rotina entre o jiu-jitsu, o judo e a preparação física, mas a rápida evolução do problema ocular obrigou a família a encontrar soluções para que pudesse continuar a treinar.

Numa consulta de reavaliação realizada no ano passado, os médicos alertaram para o agravamento da situação clínica. “Estava a perder visão muito rapidamente. Um dos olhos estava já muito maior e começava a perder visão periférica”, explica a mãe, Filipa Gomes, ao Correio de Sintra.

Simão, tornando-se num dos primeiros atletas a entrar em tatame com óculos adaptados



Desde então, o jovem passou a utilizar óculos adaptados também dentro do tatame. A família encontrou apoio na Fábrica dos Óculos, no Cacém, que se sensibilizou com o caso e ajudou a desenvolver um modelo de óculos adaptado à prática desportiva. A ligação acabou por crescer ao ponto da empresa se tornar patrocinadora do jovem atleta. “Foram eles que nos ajudaram em todo o processo de adaptação e sempre estiveram ao lado do Simão”, refere Filipa Gomes.

Com esta solução, Simão conseguiu competir no ano passado, num torneio em Viana do Castelo, com autorização do organismo que gere a Jiu Jutsu, tornando-se num dos primeiros atletas a entrar em tatame com óculos adaptados.

Contudo, as regras internacionais continuam a impedir a participação do jovem em provas fora do país. Algumas federações, sobretudo a brasileira, mantêm a proibição da utilização de óculos durante os combates, alegando razões de segurança, embora não represente qualquer risco.

“Recebemos muitas mensagens de apoio de pessoas ligadas ao jiu-jitsu, o que nos dá força para continuar”



“O nosso objetivo este ano era competir a nível internacional, mas não vai ser possível”, lamenta a mãe. “Talvez daqui a dois ou três anos, quando tiver maturidade para usar lentes de contacto, possamos voltar a pensar nisso.”
Apesar das limitações, o jovem atleta tem encontrado apoio dentro da comunidade desportiva nacional.

Segundo a família, Simão é regularmente bem acolhido nos torneios em que participa e a sua história tem gerado várias manifestações de solidariedade e apoio entre atletas e treinadores. “Recebemos muitas mensagens de apoio de pessoas ligadas ao jiu-jitsu, o que nos dá força para continuar”, conclui com alguma emoção, Filipa Gomes.